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Como o turismo pode se recuperar depois da pandemia?

Um prejuízo de quase 300 bilhões de reais. Esse é o impacto que a pandemia teve no turismo brasileiro, setor que movimenta grande parcela da economia. Pensando nisso, será que o turismo pode se recuperar depois da pandemia?

Representando uma parcela de aproximadamente 4% do PIB nacional, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o setor de turismo foi um dos mais afetados pelo isolamento social, imposto em todo o mundo para tentar conter os avanços de contágio da covid-19. 

Restaurantes, bares e diversos comércios fechando por falta de movimento de turistas, rede de hotéis inteiras paradas e torcendo logo pela volta da circulação, além de cidades que dependem das viagens praticamente desertas. O cenário da pandemia no turismo brasileiro é caótico. 

Mas o que esperar? Com o impulso da vacinação no país, o cenário tende a mudar? O setor voltará ao que era antes ou mudará por completo? Veja as respostas para essas perguntas tão importantes.

Como a pandemia afetou o setor de turismo?

De acordo com dados da Confederação Nacional de Bens e Serviços (CNC), o turismo brasileiro já sofreu perdas de cerca de 290 bilhões de reais por causa da pandemia, de março de 2020 a março de 2021. 

Ainda segundo o órgão, mais de 50 mil organizações, incluindo uma empresa de ônibus fretado, que pertencem ao setor de turismo, fecharam suas portas. Um verdadeiro baque para os segmentos. 

Veja a composição de cada um deles no setor para você entender melhor:

  • Hotéis e Pousadas (7,14%);
  • Bares e Restaurantes (37,45%);
  • Transporte rodoviário (17,37%);
  • Transporte aéreo (4,78%);
  • Outros transportes e serviços auxiliares dos transportes (9,93%);
  • Atividades de agências e organizadores de viagens (2,73%);
  • Aluguel de bens móveis (2,67%);
  • Atividades recreativas, culturais e desportivas (17,93%).

Viu só? O setor de Turismo é altamente afetado pela pandemia por ser característico o seu movimento de ida e volta de viagens e circulação de turistas por grandes e pequenas cidades. O deslocamento é intrínseco ao setor, algo impensável na pandemia. 

Então, é inevitável o cenário atual de caos no turismo. Pela composição do setor, percebe-se que os bares e restaurantes estão entre os segmentos que mais sofreram falências em todo o Brasil. 

Fora as demissões que ocorreram. Aproximadamente 365 mil pessoas perderam seus postos de trabalho vivendo do turismo, no primeiro semestre de 2020, no auge da pandemia.

O prejuízo já é maior do que o setor costuma faturar. Em 2019, antes da pandemia, o turismo faturou mais de 270 bilhões de reais. Para a recuperação, há muito chão pela frente e será preciso um desenho e melhoria de processos.

Ou seja, a conclusão é que os impactos foram imediatos e preocupam muito as autoridades do país e também do mundo, que sofre economicamente com as perdas do setor. Pensando nisso, listamos a seguir alguns pontos que podem ajudar na melhoria.

Como o setor pode se recuperar?

Para se recuperar, segundo aponta o Fundo Monetário Internacional (FMI), a vacinação em massa da população em todos os países será responsável pela volta à normalidade – ou pelo menos por um novo normal. 

Além disso, as políticas de estímulos econômicos precisam permanecer até que o setor se recupere em sua totalidade. Isso porque, mesmo que haja a volta gradual das atividades turísticas, o setor está completamente defasado. 

Para tirar o atraso, o próprio FMI diz que os estímulos econômicos são necessários durante e após a pandemia. No Brasil, houve um pacote de 5 bilhões de reais para tentar conter os avanços dos impactos econômicos da covid-19 no turismo. 

Na Tailândia, apenas para fins de comparação, o turismo é uma das principais atividades, respondendo por parte significativa do PIB. Por lá, foram destinados ao setor, pelas autoridades tailandesas, 700 milhões de dólares, o que dá cerca de 40 bilhões de reais pela cotação atual. 

Outros exemplos no mundo mostram como o setor brasileiro pode ir se recuperando aos poucos apostando em recursos e em qualidade, assim como na Jamaica, por exemplo, onde o governo deu aulas gratuitas de certificação de treinamento online para 10.000 trabalhadores do turismo para ajudar a melhorar suas habilidades.

As soluções são diferentes de país para país, segundo relatório do FMI. O ritmo da recuperação dependerá, obviamente, do contexto global para haver grande circulação de turistas novamente.

Além da prioridade imediata de minimizar e acabar de vez com os impactos da pandemia, os países, inclusive o Brasil, precisarão criar um “novo normal” para a indústria do turismo, adotando novas medidas e abarcando as tendências que chegaram neste período.

Para o FMI, diversificar, mudar para modelos de turismo mais sustentáveis ​​e investir em novas tecnologias pode ajudar a construir uma recuperação para o setor de turismo como um todo. 

Quais as tendências para o setor?

Há algumas questões que precisam ser discutidas quando falamos de viagens e um mundo pós-coronavírus. 

Primeiramente, tem a questão da vacinação. Será que os governos exigirão das pessoas mascaras de tecido e um atestado de que tomaram a vacina para poder embarcar? 

Afinal, mesmo que a vacinação já esteja avançada em todos os países do mundo, ainda será possível o contágio. Então, esse é um ponto a se pensar, principalmente para evitar futuros problemas relacionados a covid-19.

Outro ponto que deve ser levantado como mudança para depois da pandemia é a questão econômica. Diversas pessoas perderam renda durante a pandemia. E, a depender do destino, do trajeto e do transporte escolhido, viajar pode se tornar bem caro. 

Então, provavelmente as pessoas encontrarão desafios para levantar dinheiro e voltarem a viajar, considerando as condições de forma geral da população que, como já foi dito, ficou bastante prejudicada.

As questões econômicas também afetarão as viagens, uma vez que muitas pessoas perderam renda durante a pandemia, sobretudo no Brasil, em que o desemprego, reinou e aumentou drasticamente. 

Sendo assim, muitas empresas, por exemplo, uma de aluguel de micro ônibus para excursão, bem como diversas outras organizações, precisaram se reinventar e criar novas formas de conseguir levantar um bom resultado.

Pois bem, diante desses obstáculos, há uma grande tendência de viagens mais curtas e ponderadas. Além disso, os turistas estarão menos dispostos a se comprometer em sua próxima viagem no pós-covid. 

As expectativas sobre os serviços prestados de hotéis, restaurantes e afins estarão muito maiores, porque faz tempo que as pessoas não viajam e é natural que queiram uma experiência formidável na volta das atividades. 

Por isso, a indústria do turismo deve priorizar, assim como no exemplo da Jamaica,  a melhora na oferta de serviços, instalações e experiências que atendam ao bem-estar, saúde e segurança biológica dos turistas. 

Como ainda haverá chances de contágio, de forma inevitável, os altos padrões de higiene, que foram um marco na pandemia, devem continuar sendo prioridade – e grande parte da exigência dos turistas que necessitam dessa comprovação de eficiência na limpeza.

Não será surpreendente ver tendências como turismo sustentável com manutenção de áreas verdes, de saúde, bem-estar, relaxamento e espiritual. 

Como a pandemia acabou aflorando no sentimento das pessoas, essas áreas já estão no centro dos holofotes da vivência na pandemia, e as viagens devem absorver isso.

Viagens mais tranquilas e em família devem ser o novo normal, porque parentes e entes queridos provavelmente ficaram longe durante o período pandêmico. 

Inclusive as agências de viagem e agência de eventos stands devem fomentar esse discurso para as pessoas aproveitarem as viagens para se conectarem a elas mesmas novamente, depois de um tempo tão ruim, e consigam reencontrar velhos amigos ou familiares. 

Outra grande tendência após a crise, para o turismo, devem ser as viagens mais curtas e de carro para aqueles que ainda terão medo de se cruzar com muitas pessoas ou mesmo enfrentar a limpeza de aviões.

E esse cenário favorece muito os destinos rurais no interior e longe das aglomerações das capitais. As pessoas querem, depois de tanta ansiedade e estresse ao ficarem confinadas em casa, liberdade, mas sem festa também. 

Querem relaxar, curtir a companhia das pessoas próximas e se beneficiar da paisagem bonita de lugares calmos, serenos e belos. 

Considerações finais

A pandemia ainda não acabou, mas já precisamos começar a nos preparar para o que vem por aí em diversos setores, principalmente em relação às viagens, que é o desejo de muitas pessoas depois que este período do contágio massivo da doença acabar.

O turismo foi muito impactado, mas há soluções, inclusive apontadas por muitos órgãos referências no mundo, como o FMI. Além disso, tendências que vieram da necessidade do pós-pandemia surgiram e devem mudar a “cara” do turismo tanto nacional quanto internacional.
Esse texto foi originalmente desenvolvido pela equipe do blog Guia de Investimento, onde você pode encontrar centenas de conteúdos informativos sobre diversos segmentos.